Livros para Todos

É bem sabido que há todo o tipo de livros neste planeta. Livros para colorir, para queimar na fogueira, para proibir e até para ler, vejam lá!

Há livros de cozinha com o Astérix, tratados de astronomia baseados no “facto” de a Terra ser plana e deslocar-se em cima de 4 elefantes situados no topo de uma carapaça de uma tartaruga gigante e muitos outros manuscritos de valor maior ou igual aos dos exemplos mencionados.

Contudo, venho-vos falar de um outro livro. Um livro cuja existência me foi revelada há alguns dias, em plena cantina do Instituto Superior Técnico, situada no campus Alameda. Como o ser humano que sou, encontrava-me no mesmo local, a ingerir a refeição denominada de “almoço”.

Depois de me ter servido da alternativa menos má e do combustível com sabor a laranja, arranjei um assento para instalar o meu vasto traseiro. Num dos lugares circundantes, encontrava-se uma jovem moçoila indistinta, igual a tantas outras. Depois deste singelo elogio, creio que posso passar à explicação que implica este incidente com o tema em geral do post.

A rapariga em questão partilhava da opinião da maioria das pessoas que se encontravam no mesmo compartimento do edifício em questão, logo também estava a almoçar. E se há quem consiga almoçar sem fazer mais nada ao mesmo tempo, há quem prefira entreter-se com outras actividades: quem está com companhia, costuma dialogar/trocar insultos com a dita cuja; quem está sozinho costuma encontrar outras coisas – eu ouvia música já que ainda não há comida que se ingira com ajuda dos tímpanos, e ela parecia entretida com um livro.

Livro esse, que é a génese deste post. A primeira impressão que dava é que seria um manual antigo, devido ao tipo de letra e forma como o texto estava distribuído, e não é que eu não estava completamente errado ao tirá-la. Era de facto um manual.

Mas não um manual qualquer, não. Nem poderia ser. Porquê? Devido ao tipo de “matéria” contida nas páginas do livro aqui discutido. Entre elas, pude ver estas:

  • Como chorar num casamento;
  • Como fingir sardas;

É este o meu testemunho, e creio não haver contradições a apontar. A rapariga em causa estava de facto a ler um manual sobre esses tópicos. Posso até acrescentar que a jovem em causa tinha ar de quem estava a treinar a choradeira, visto estar com a cara enrubescida à volta dos olhos e com o guardanapo na mão, mão essa que andava lá perto.

Tenho até provas da existência de tal manuscrito, que dá pelo nome de “Manual do Glamour para Raparigas”:

Como podem ver, a sinopse não se deixa levar pela brisa da modéstia, e aposta num ataque impiedoso ao ego do/a possível comprador/a. Poderiam ter optado por algo como “este pequeno compêndio contem algumas sugestões e ideias que poderão ajudar a leitora a melhorar a sua imagem”, mas foram por algo mais do género “MASCARRAIO, ESTE LIVRO É TÃO BOM QUE POR CADA CAPÍTULO LIDO, ABREM UM TEMPLO EM TUA HONRA, SUA DEUSA”. Confesso que é uma abordagem alternativa, e que já funcionou pelo menos uma vez.

Vejamos:

  • Como conseguir um elogio;

Ok, devem existir algumas estratégias mais sub-reptícias para cumprir este objectivo. Não vejo mal nisto, já que se está de

  • Como convencer as outras pessoas que se é uma celebridade;

Ora, aqui já vejo algum mal. Ou isto envolve algumas técnicas de lavagem cerebral ou tenta aproveitar-se de algum defeito de nascença presente no encéfalo das possíveis vítimas. “Olá, você não me reconhece mas eu sou uma grande celebridade. Faça favor de fazer um enorme espalhafato, de me pedir um autógrafo e de tirar fotografias de péssima qualidade que não deixem confirmar a identidade da pessoa nelas retratada. Tudo isto lhe será retirado pela minha entourage que em breve chegará”. Não.

  • Como fazer com que as roupas cheirem sempre bem;

Aqui temos mais um artigo válido. Ausência de odores desagradáveis nas redondezas de qualquer elemento da espécie humana, derive do corpo do indivíduo ou da respectiva indumentária. Sugestões que ajudem a manter um “wardrobe” bem perfumado parecem ser úteis.

  • Como preparar uma festa temática;

Nada a assinalar.

  • Como ser uma deusa;

Portanto, o livro em si já é algo questionável e ainda inclui um “HowTo: Be a Goddess”? Só falta ser “em 5 minutos, ou devolvemos-lhe o seu dinheiro”. Seria de esperar que o livro disparasse um raio fulminante de luz mal fosse aberto nessa parte.

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Esta entrada foi publicada em Livros, O Mundo que nos rodeia, Tales of the Unusual. ligação permanente.

3 respostas a Livros para Todos

  1. Klawfive diz:

    Eh eh. Encontrei esse livro numa livraria (!) e estive a folheá-lo…

    É fascinante… Gostei do capítulo de “Como descer escadas”…

    E na parte de “Como ser uma deusa”, os conselhos eram:
    – Usar um lençol branco, como se fosse uma toga romana
    – Aceitar sempre com graciosidade os presentes que oferecem (mesmo que preferíssemos que não se tivessem incomodado)
    – Ter muita sabedoria
    – Usar flores bonitas no cabelo E DEIXAR SEMPRE UM RASTO DE PÉTALAS POR ONDE SE CAMINHA
    – “E o mais importante de tudo: não abuses dos teus poderes”

    De facto… onde vai parar a literatura?

  2. Catarina diz:

    Olá!!! Parece que o livro de glamour é fixe e por ixo eu queria perguntar quem é o autor do manual de glamour para raparigas, quem souber é favor contactar-me para o seguinte mail: catarina_csm@hotmail.com
    De preferencia antes desta semana acabar. Obrigado

  3. Krono [pt] diz:

    Em relação aos tipos de livros, não esquecer aqueles que têm como objectivo manter uma mesa manca na horizontal, são muito importantes na vida de qualquer pessoa

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