Falei de uma tal piada matemática de má categoria num comentário meu anterior. É mentira porque pouco tem a ver com matemática. É, de facto, sobre música e finanças. E se falar de finanças já é fascinante, imaginem o quão espantástico será falar de música ao mesmo tempo!(!)
Confesso que, tal como afirmei no dito cujo, na altura achei que, no interesse da manutenção da minha integridade física, seria melhor mantê-la o mais escondida possível. Atrás de uma cortina, de uma estante de livros ou mesmo de uma estante de livros sobre cortinas.
Contudo, porém e no entanto, senti-me provocado a fazê-lo. Como foi uma vocação com arte, perícia e habilidade, não fui capaz de apresentar uma resposta à altura (até porque ela nem sequer estava no mesmo edifício, logo seria complicado fazê-lo) e aqui me encontro a ler o que já escrevi há algum tempo.
“Há algum tempo?”
Sim, eu já escrevi isto num agora, mas convenhamos que agora não é esse agora. Esse agora foi há bocado.
“E há bocado, quando foi?”
Há uns instantes.
“Voltemos ao há bocado”
Não é possível.
“Então porquê?”
Porque já passou.
“Quando?”
Agora mesmo.
“Argh!”
Pois, dá para perceber. Mas voltemos à má piada.
Esta piada teve origem numa produção conjunta, concâmara e quase que também foi congovernocivil com um colega com o qual partilhava a fila do anfiteatro no qual me encontrava sentado, que doravante será apelidado de “Carvas”. Carvas porque é a alcunha com que já entrou no I.S.T., logo continua a ser apelidado de tal. Apelidado, porque o baptismo “práxico” é outro, e não pretende atribuir nomes, mas sim estatuto acima de verme, mas abaixo de verme muito grande.
Estávamos, entre outros, na aula de Matemática Computacional (Éme Cê para a malta fixe, bârde e mémal) e, entre métodos de ponto fixo, sistemas de equações (não-)lineares e outros iogurtes, demos por nós em animada discussão sobre as possibilidades que seriam desencadeadas pela criação de um glorioso novo objecto.
Sempre que se fala em finanças e contabilidade, imagina-se logo (não há escolha, é um acto involuntário, obrigatório e compulsivo) uma sala cheia de ecrãs pejados de números e letras, fitas de papel que vão de uma ponta da sala à outra várias vezes e ainda muito telefonema consistindo em variações dos seguintes vocábulos “compra, vende, imbecil, guerra, petróleo, peixe, ribeira, macaco, macaco, roupa interior” com principal incidência nas 3 primeiras.
Mas não seria possível introduzir um novo instrumento, baseado no grande antepassado da calculadora? Não falo daquele tijolo que encontraram ontem na arrecadação, mas sim do magnífico ábaco. Sim, o ábaco.
Se tal instrumento é perfeitamente capaz de efectuar complicadas operações matemáticas, não será também capaz de trazer animação às repartições?
Bem, a verdade é que um ábaco dificilmente entretém uma pessoa por mais de alguns segundos. Uma harpa, no entanto, entretém durante muito mais tempo, já que tem aquele som melodioso e quase angelical ao qual poucos conseguem sistir, quando mais resistir. Como vêem, a solução está à vista. Não faz muito sentido que tal coisa ainda não tenha sido criada, até.
Porque não fazer a contabilidade da secção de marketing ao som de umas composições para harpa? E, ainda melhor, porque não tocar harpa enquanto se balançam as contas da secção 2D? O mundo tornar-se-ia um lugar N vezes melhor se tal coisa existisse, porque se poderiam converter aquelas bolsas de valores de aspecto caótico, barulhento, palas na testa e braços erguidos cheios de papeladas em lugares serenos, onde se ouviria apenas o som melódico da harpa e das contas do ábaco.
(Confesso que o acto de “vender e comprar acções” sempre me pareceu algo vindo de um trading card game: “Ah, eu descarto esta opa e compro 3 acções da PT”, “Pff, a minha lei aprovada de forma suspeita faz com que eu também possa comprar 3 acções”. Acredito que, com este parágrafo, terei activado a regra 34. Daqui a 2 meses, sai a primeira edição de “Stocks: the Market”.)
Mas, voltando à pseudo-piada-que-não-fará-rir
É daí que provém a fusão dos dois objectos. Nem harpa, nem ábaco, mas os dois em uníssono. Toque um dó, e faça uma adição. Toque uma escala, e verifique o orçamento. Passe a uma sinfonia, e tem a taxa de produtividade por trabalhador.
Seja um contabilidoso tocador do novo instrumento… o hárpaco!
o ritmo entoxicante do ábaco e a serena melodia da harpa agora fundidos num só… o hárpaco! (estilo top 2″num tubo”)
falta referir como é claro a montanha de escribas mortos com ábacos e o facto de esses ditos terem a forma de harpas, porquê? Não sei mas montanhas de escribas numa aula de cálculo… tinha de haver ábacos no meio…